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Quando eu entrei ainda tinha movimento

Edson Mateus Laje, ferroviário de Três Corações (MG). Foto: Andressa Gonçalves

Eu me chamo Edson Mateus Laje, nasci em 24 de março de 1952, em Belo Horizonte. Eu cheguei em Três Corações eu tava com 13 anos. A cidade era muito boa, tinha ferrovia, emprego aqui era exército e ferrovia. Sempre eu tive vontade de trabalhar na ferrovia, e consegui entrar em 83. Eu prestei o concurso em Lavras e entrei para a a ferrovia em 83, e aposentei em 97.

Eu era operador rodo-ferroviário, eu andava na linha, no auto de linha, e nas viaturas rodoviárias, caminhão, camionete, transportando pessoal para fazer manutenção da linha, carga para a ferrovia mesmo, fazia este tipo de serviço. Fazia transporte de pessoal para manutenção da linha. Eu era condutor de auto de linha, auto de linha é condução que transportava trabalhador para manutenção.

O auto de linha é mesma coisa de um carro, ele tem embreagem, tem freio, tem acelerado no pé, aí você controla a velocidade como você controla um veículo, é a mesma coisa de um veículo, só não tem o volante, porque ele segue a linha, ele tem uns frisos na roda, já para seguir a linha. Era a maquininha e uma carretinha, que ia transportando as ferramentas, o material que seria usado na linha e o pessoal que fazia o serviço.

Quando eu entrei ainda tinham movimento, só que sendo órgãos de governo não fizeram as melhorias necessárias e veio a decadência e a privatização, aí passou para a FCA. Trabalhei um ano na FCA também, mas já tinha tempo para aposentar.

Quando eu trabalhava na ferrovia, o engenheiro Murta comprou um trenzinho para fazer campanha política, só que na época ele foi transferido para Belo Horizonte. Aí ele me pediu pra eu vender o trem, só que eu tava doido para comprar o trenzinho, mas não tinha condição. Aí eu fui embromando, segurandoa. Aí eu aposentei e com o dinheiro da minha aposentadoria eu comprei o trenzinho, e a partir daí eu fiquei com ele direto, vai fazer 15 anos que eu tenho ele. E rodo a cidade inteira com ele. Trabalho com ele no meio de semana para as escolas que me chamam. Aos domingos eu estou na praça. Também estou fazendo cada domingo num bairro, faço bairros diferentes, nos bairros, a gente faz um precinho camarada para poder todo mundo andar. As crianças é só escutar a buzina do trem, que sai tudo correndo, e a gente no bairro já faz um precinho camarada para poder todo mundo andar. Vai o pai, vai a mãe. . Tem pessoa de idade que vai na praça só para andar de trenzinho. Tem idoso também, não é só criança. Tem gente de idade, as crianças de quando eu comecei, hoje estão levando os filhos.

Eu achava muito bonito uma composição de trem passando. Nunca tive parente ferroviário. Quando eu era menino, eu morei em Itanhandu, eram dois dias de viagem de Itanhandu a Belo Horizonte, era a coisa mais boa que existe, estes dois dias. Você saia de Itanhandu, você vinha à Três Corações, você fazia baldeação aqui, chegava em Lavras, fazia outra baldeação, de Lavras a Belo Horizonte, Era uma viagem muito boa, tinha o vagão restaurante, nossa era uma delícia. No restaurante, tinha macarrão, tinha carne, era uma comidinha muito boa, simples, mas muito boa, lembro direitinho. Sou casado tem duas filhas, meus filho nunca andaram de trem, porque não tem mais, na época quando eles foram crescendo não tinha mais.

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