{"id":95,"date":"2019-08-13T16:00:32","date_gmt":"2019-08-13T19:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=95"},"modified":"2019-08-13T16:00:32","modified_gmt":"2019-08-13T19:00:32","slug":"ja-era-apaixonado-pela-ferrovia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=95","title":{"rendered":"J\u00e1 era apaixonado pela ferrovia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-96\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mauricio-couto-ferroviario-foto-paulo-morais-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" class=\"size-large wp-image-96\" srcset=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mauricio-couto-ferroviario-foto-paulo-morais-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mauricio-couto-ferroviario-foto-paulo-morais-300x200.jpg 300w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mauricio-couto-ferroviario-foto-paulo-morais-768x512.jpg 768w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mauricio-couto-ferroviario-foto-paulo-morais-700x467.jpg 700w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mauricio-couto-ferroviario-foto-paulo-morais.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-96\" class=\"wp-caption-text\">Maur\u00edcio Couto, ferrovi\u00e1rio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es (MG). In memorian. Foto: Paulo Morais<\/p><\/div>\n<p>Meu nome completo \u00e9 Maur\u00edcio Couto, eu nasci dia 23 de janeiro de 1928. O meu pai era ferrovi\u00e1rio, a gente morava pr\u00f3ximo a rodovi\u00e1ria, na beira do rio. Tinha uma casinha na beira do rio, n\u00f3s morava l\u00e1. O nome do meu pai \u00e9 Homero Couto. Ele entrou na rede j\u00e1 mocinho e trabalhando l\u00e1,  ele foi crescendo, crescendo, foi \u00e0 auxiliar de maquinista, trabalhou maquinista, depois ele alcan\u00e7ou o cargo m\u00e1ximo, que era de fiscal. Logo depois ele faleceu, isto foi em 1975.<\/p>\n<p>Eu era sim, j\u00e1 era apaixonado pela ferrovia. Tinha paix\u00e3o mesmo pela ferrovia. Como desde crian\u00e7a eu j\u00e1 gostava desenhar, eu pus na minha cabe\u00e7a que eu era desenhista. Eu fiz um desenho do meu pai num trem e puseram este desenho numa barbearia aqui na Cotia, e ficou este desenho l\u00e1 de demostra\u00e7\u00e3o para todo mundo ver.<\/p>\n<p>A\u00ed o chefe que aqui na rede, seu Abra\u00e3o Loureiro Pinto, me chamou e perguntou se eu queria trabalhar na rede. Eu falei:- perfeitamente, uai. Mas quantos anos voc\u00ea tem? Eu n\u00e3o tinha 16 anos, tinha 15 anos e meio, sabe? Eu falei que era 16. Entrei como trabalhador classificado com I, trabalhador I. Eu trabalhava na esta\u00e7\u00e3o cortando barranco, botando nas pranchas e enchendo de terra para construir um galp\u00e3o, que ficava ao lado da esta\u00e7\u00e3o, isto foi em 1943. Era trabalhador bra\u00e7al.<\/p>\n<p>Depois fui trabalhar em mec\u00e2nica, l\u00e1 tinha que engraxar a locomotiva, reparar as locomotivas, dar serragem de bronze, era para lubrificar as locomotivas para funcionar. A oficina mec\u00e2nica era no dep\u00f3sito da rede, naquele galp\u00e3o que t\u00e1 caindo l\u00e1, entendeu? L\u00e1 tinha carpintaria, tinha fundi\u00e7\u00e3o de bronze, tinha os tornos, as plainas, o esmeril, ferraria para arrumar as pe\u00e7as da locomotiva, tinha um escrit\u00f3rio, tinha um almoxarifado, tinha a parte de eletricidade, era tudo l\u00e1. Depois passei para a pintura. Eu pintava as locomotivas, vag\u00f5es, carro de passageiro.  Os carros das locomotivas eram todos padronizados, as bra\u00e7agens eram vermelhas e o resto todo preto, as letra eram brancas. Os vag\u00f5es de passageiro, eram vermelhos tamb\u00e9m, era \u00f3xido de ferro. Os vag\u00f5es, os carros de passageiros eram vermelhos. Da parte da pintura me levaram para o escrit\u00f3rio, fazia anota\u00e7\u00e3o de lenha, carv\u00e3o, estopa, querosene, o que consumia, ent\u00e3o era tudo anotado.<\/p>\n<p>A\u00ed me requisitaram para Belo Horizonte, a\u00ed era diferente.  Passei a ser instrutor de fiscal de tra\u00e7\u00e3o, eu apurava os processos, porque dava muito acidente.  Tamb\u00e9m dava treinamento para os maquinistas, as vezes davam 5 rapazes para eu dar instru\u00e7\u00e3o para eles.  Eu fiquei direto 15 anos na fiscaliza\u00e7\u00e3o, foi muita honra para mim, quando eu entrei na rede eram 24 fiscais, quando eu sai, s\u00f3 tinha 12 ou 14 fiscais.  Para apurar os processos,  tinha um carro da rede para andar nos pr\u00f3prios trilhos. Este carro tinha um escrit\u00f3rio com cadeira de palhinha, tinha os quartinhos, tinha um fog\u00e3o, era uma casinha m\u00f3vel, conforme o caso eu colocava este carro nos trens. Depois que eu aposentei, este carro foi l\u00e1 para Cruzeiro a\u00ed tiraram os trilhos de l\u00e1 e acabaram com este trem. Faltando 3 anos pra aposentar eu fiquei como chefe do dep\u00f3sito de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. Eu era o primeiro que chegava l\u00e1 e o \u00faltimo que saia. Eu aposentei em primeiro de abril de 1983.<\/p>\n<p>Hoje, os colegas, a gente sempre encontra, conversa com eles. Mas que eu tenho muita saudade eu tenho, sim. Ontem mesmo eu sonhei com uma locomotiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=95\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente J\u00e1 era apaixonado pela ferrovia\"><p>Meu nome completo \u00e9 Maur\u00edcio Couto, eu nasci dia 23 de janeiro de 1928. O meu pai era ferrovi\u00e1rio, a gente morava pr\u00f3ximo a rodovi\u00e1ria, na beira do rio. Tinha uma casinha na beira do rio, n\u00f3s morava l\u00e1. O nome do meu pai \u00e9 Homero Couto. 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