{"id":117,"date":"2019-08-13T16:18:27","date_gmt":"2019-08-13T19:18:27","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=117"},"modified":"2019-08-13T16:18:44","modified_gmt":"2019-08-13T19:18:44","slug":"eu-chefiava-a-turma-de-telegrafos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=117","title":{"rendered":"Eu chefiava a turma de tel\u00e9grafos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_43\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-43\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-tiburcio-foto-paulo-morais-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" class=\"size-large wp-image-43\" srcset=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-tiburcio-foto-paulo-morais.jpg 1024w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-tiburcio-foto-paulo-morais-300x200.jpg 300w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-tiburcio-foto-paulo-morais-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-43\" class=\"wp-caption-text\">Antonio Tib\u00farcio de Oliveira, ferrovi\u00e1rio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es (MG). Foto: Paulo Morais<\/p><\/div>\n<p>Meu nome completo \u00e9 Ant\u00f4nio Tib\u00farcio de Oliveira, eu nasci em 14 de abril  de 1934, em Concei\u00e7\u00e3o da Barra de Minas. Eu vim para o sul de Minas, com 8 anos de idade, meu pai foi transferido para Gaspar Lopes, pr\u00f3ximo de Alfenas, e moramos l\u00e1 cerca de 9 meses, depois viemos para Tr\u1ebds Cora\u00e7\u00f5es, e terminamos a nossa carreira de ferrovi\u00e1rio aqui. Meu pai era ferrovi\u00e1rio tamb\u00e9m. Ele era mestre de linha, supervisionava a manuten\u00e7\u00e3o da via permanente, via permanente \u00e9 a linha f\u00e9rrea. O nome dele \u00e9 Jos\u00e9 Francisco de Oliveira. Ele trabalhou sempre aqui, os 4 filhos tamb\u00e9m dele, eu e meus 3 irm\u00e3os fomos ferrovi\u00e1rios. O meu av\u00f4 tamb\u00e9m foi ferrovi\u00e1rio, ele ajudou construir a ferrovia na \u00e9poca. Era  tudo em carro\u00e7a, foi cavando o barranco, tudo a m\u00e3o, o leito da ferrovia, ele contava que tirava a terra tudo na carro\u00e7a, trabalho a m\u00e3o, trabalho penoso. O nome do meu av\u00f4 \u00e9 Felipe de Oliveira. A fam\u00edlia \u00e9 praticamente toda de ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Trabalhei 34 anos na ferrovia. Trabalhei como telegrafista, depois passei a supervisionar o servi\u00e7o de telegrafia, do tel\u00e9grafo sem fios e telefone. Eu chefiava a turma de tel\u00e9grafos e telefones, as chamadas linhas f\u00edsicas de comunica\u00e7\u00f5es da rede, que tinha na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca que eu vim para c\u00e1, existia uma certa animosidade entre o pessoal do ferrovi\u00e1rio e a popula\u00e7\u00e3o de um modo geral O ferrovi\u00e1rio era uma classe mais ou menos considerada classe inferior, classe baixa, embora fosse atrav\u00e9s da ferrovia que o progresso da cidade veio, o pr\u00f3prio D.Pedro fez o trecho inaugural de Cruzeiro a Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. A cidade era um p\u00f3lo agropecu\u00e1rio, fazia com\u00e9rcio de gado, por isto a necessidade da implanta\u00e7\u00e3o da ferrovia. Em 1854 foi inaugurado a ferrovia aqui, D.Pedro fez a viagem inaugural, de Passa Quatro at\u00e9 Tr\u1ebds Cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea dos esportes, sempre houve destaque para os ferrovi\u00e1rios, na minha \u00e9poca aqui tinha 4 times s\u00f3 de ferrovi\u00e1rios. A gente conseguia 4 at\u00e9 5 times, separando escrit\u00f3rio, via permanente, esta\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico e outros diversos, chegava a fazer campeonato, tinha muita gente.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 80, houve assim uma debandada de ferrovi\u00e1rios aposentando, o governo passou a oferecer 6 meses de sal\u00e1rio extra para quem aposentasse. Ent\u00e3o, n\u00f3s em 88, fundamos esta associa\u00e7\u00e3o, pois a gente estava sem informa\u00e7\u00f5es e para gente manter o pessoal informado, tratar dos direitos, fazer os pedidos, encaminhar pap\u00e9is, na \u00e9poca tinha um problema com as cia de seguro de vida, tinha que tratar,. Estou at\u00e9 hoje como presidente porque ningu\u00e9m mais quis assumir,  e estamos at\u00e9 o dia que der, a vontade \u00e9 fechar tamb\u00e9m, t\u00e1 batendo o des\u00e2nimo. Muitos faleceram, a gente tem at\u00e9 a lista aqui, a chamada lista negra dos aposentados que v\u00e3o falecendo, tem 284 anotados falecidos. N\u00f3s t\u00ednhamos de 400 a 500 participantes, e a gente incluia o pessoal de Varginha, de Soledade, Passa Quatro,  Baependi, Concei\u00e7\u00e3o do Rio Verde, fazia parte aqui tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O que eu deixaria de mensagem final \u00e9 que a gente tem que lamentar esta situa\u00e7\u00e3o de desprezo pela ferrovia no pa\u00eds, trechos erradicados, muitos desnecessariamente, o governo  preferiu erradicar os trechos ao inv\u00e9s de melhorar, deixou acabar. Como ferrovi\u00e1rio desejaria que houvesse algu\u00e9m  entre os governantes que pudesse voltar o olhar e o sentido para a ferrovia, porque o pa\u00eds \u00e9 de dimens\u00f5es continentais e o meio de transporte mais adequado \u00e9 a ferrovia, n\u00e3o s\u00f3 para transporte de cargas pesadas,  aliviando as rodovias, diminuindo os acidentes.<\/p>\n<p>Eu me aposentei em 1983, em 1\u00ba de novembro de 1983.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=117\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Eu chefiava a turma de tel\u00e9grafos\"><p>Meu nome completo \u00e9 Ant\u00f4nio Tib\u00farcio de Oliveira, eu nasci em 14 de abril de 1934, em Concei\u00e7\u00e3o da Barra de Minas. 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