{"id":115,"date":"2019-08-13T16:17:30","date_gmt":"2019-08-13T19:17:30","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=115"},"modified":"2019-08-13T16:17:30","modified_gmt":"2019-08-13T19:17:30","slug":"era-tudo-em-codigo-morse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=115","title":{"rendered":"Era tudo em c\u00f3digo morse"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_45\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-45\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/cloyverde-pinto-foto-andressa-goncalves-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" class=\"size-large wp-image-45\" srcset=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/cloyverde-pinto-foto-andressa-goncalves.jpg 1024w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/cloyverde-pinto-foto-andressa-goncalves-300x200.jpg 300w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/cloyverde-pinto-foto-andressa-goncalves-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-45\" class=\"wp-caption-text\">Cloyverde Pinto Barra, ferrovi\u00e1rio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es (MG)<\/p><\/div>\n<p>O meu nome completo \u00e9 Cloyverde Pinto Barra, eu nasci no dia 29 de julho de 1935. Eu nasci em uma esta\u00e7\u00e3ozinha de ro\u00e7a, h\u00e1 poucos km de Lavras, chamada Rosas. Meu pai era ferrovi\u00e1rio tamb\u00e9m, o nome dele \u00e9 Odilar Pinto Barra. Ele era agente de esta\u00e7\u00e3o, ele tinha v\u00e1rias atribui\u00e7\u00f5es,   despachar uma mercadoria para diversos lugares, venda de bilhetes para o trem de passageiro.<\/p>\n<p>Eu vim para Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es, comecei a trabalhar aqui foi no dia 1\u00ba de junho de 1954. Eu j\u00e1 entrei na rede j\u00e1 designado para vir para a sala de aparelho, que naquela \u00e9poca era o bicho pap\u00e3o da estrada de ferro, ningu\u00e9m gostava de trabalhar na sala de aparelho.<\/p>\n<p>Era tudo em c\u00f3digo morse. Eu aprendi praticamente sozinho. Desde crian\u00e7a l\u00e1 na esta\u00e7\u00e3o via meu pai trabalhar fazendo o servi\u00e7o, ent\u00e3o eu fui aprendendo e quando ele recebeu um recado aqui de um dos chefes do escrit\u00f3rio dizendo se tivesse mais algum filho para entrar para a rede, devia providenciar logo porque depois is ficar mais dif\u00edcil, eu nem alistamento militar eu n\u00e3o tinha na \u00e9poca. A\u00ed consegui o alistamento militar, fui l\u00e1 em Belo Horizonte,  fiz exame de sa\u00fade, voltei e logo em seguida me transferiram para a sala de aparelhos, os primeiros tr\u00eas dias foram duros, mas depois eu acostumei.<\/p>\n<p>L\u00e1 na sala de aparelhos o servi\u00e7o era unicamente era receber e transmitir os servi\u00e7os que eram feitos em todas as esta\u00e7\u00f5es, eram 92 esta\u00e7\u00f5es. Todo o servi\u00e7o todo do terceiro distrito passava por nossas m\u00e3os. Tinha o tel\u00e9grafo e tinha uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio que a gente comunicava com Belo Horizonte, unicamente para passar o servi\u00e7o daqui para Belo Horizonte e receber de Belo Horizonte para c\u00e1. O tel\u00e9grafo fazia um batido, o som era um som abafado, n\u00e3o era igual ao sinal de r\u00e1dio, era diferente. Cada ponto e tracinho era uma letra. Era coisa que a gente n\u00e3o esquece nunca. O ponto era mais suave e o tracinho segurava um pouquinho, fazia isto rapidamente. Agora de pontinho e tracinho que eles iam batendo e passando a gente formava a palavra e ia escrevendo ali.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca o servi\u00e7o era muito, n\u00e3o dava tempo. Eu cheguei para fazer o pernoite, chegava a meia noite e saia \u00e0s oito horas, da meia noite at\u00e9 \u00e0s sete horas, era um s\u00f3. Eu cheguei para fazer o pernoitea\u00ed tomei um golinho de caf\u00e9, e deixei o copo l\u00e1 debaixo da torneira s\u00f3 pingando, dava um pinguinho, outro pinguinho, quando eu senti que melhorou um pouco, que desocupou um pouco que eu olhei, tava vazando \u00e1gua para fora do lavat\u00f3rio, nem percebi. Era uma mesa comprida com 3 tel\u00e9grafos de um lado, 3 do outro e dois nas cabeceiras, e ficava rodando ali na noite toda, e assim era o servi\u00e7o nosso l\u00e1, tem dia que era muito, tem dia que era menos um pouco, mas sempre bastante servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Eu vejo tudo isto com muita tristeza porque a gente que tinha a ferrovia no sangu,  a gente sente, agora n\u00e3o vejo a possibilidade de voltar ao que era n\u00e3o, acho que nem as linhas n\u00e3o existem mais, j\u00e1 roubaram os trilhos, eu acho que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de voltar.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tinha pretens\u00f5es nenhuma, meu pai sempre gostou da ferrovia, minha fam\u00edlia era tudo ferrovi\u00e1rio,  desde o meu av\u00f4. Ele mandou eu aprender o servi\u00e7o, que eu iria entrar na rede. Eu segui o conselho dele e toquei a vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=115\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Era tudo em c\u00f3digo morse\"><p>O meu nome completo \u00e9 Cloyverde Pinto Barra, eu nasci no dia 29 de julho de 1935. Eu nasci em uma esta\u00e7\u00e3ozinha de ro\u00e7a, h\u00e1 poucos km de Lavras, chamada Rosas. Meu pai era ferrovi\u00e1rio tamb\u00e9m, o nome dele \u00e9 Odilar Pinto Barra. 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