{"id":113,"date":"2019-08-13T16:15:48","date_gmt":"2019-08-13T19:15:48","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=113"},"modified":"2019-08-13T16:15:48","modified_gmt":"2019-08-13T19:15:48","slug":"eu-fazia-o-servico-mais-pesado-da-ferrovia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=113","title":{"rendered":"Eu fazia o servi\u00e7o mais pesado da ferrovia"},"content":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 In\u00e1cio Borges Sobrinho, eu nasci 21 de junho de 1926, numa ro\u00e7a de Cambuquira. A esta\u00e7\u00e3o de Cambuquira era na sa\u00edda para Campanha. Meus cunhados trabalhavam na ferrovia, quando foi em 1960 eles me convidaram pra vim trabalhar na rede, a\u00ed eu resolvi entrar.<\/p>\n<p>Eu fazia o servi\u00e7o mais pesado da ferrovia, \u00e9 trocar rodelo, mexer com os trilhos, capinar, limpar, estas coisas, limpas as beiradas de c\u00f3rregos, \u00e9 fazer limpeza. O que era o mais duro, era rondar de madrugada. Para rondar, tinha que rondar as linhas onde o trem tem que passar.  Eu saia para rondar as 3 horas, a gente saia dia sim, dia n\u00e3o, era uma hora para ir e outra para voltar, porque eram cinco kil\u00f4metros, e a gente tinha que chegar antes do trem passar, se o o trem de passageiro passasse antes da gente chegar, dava umas penalidades para gente.<\/p>\n<p>Levava muito susto, levantava muito de madrugada, aquele lampi\u00e3ozinho fraquinho que a gente levava, quando l\u00e1 ia na beirada da linha eu dei de topo com um boi, eu tomei um susto! Outro dia tamb\u00e9m quase que neste mesmo lugar, eu fui rondar, tem uns bichinhos, hoje o povo fala jaratataca, vira e mexe eles sentam um cheiro catingudo. Um dia eu fui andar eles estavam na beira da linha, a gente acostumava tacar pedra, neste dia eles estavam alvoro\u00e7ado, voc\u00ea sabe que aqueles bichinhos correu atr\u00e1s de mim?<\/p>\n<p>Quando o trem cai por cima dos dormentes tem que levantar com macaco. Para fazer a linha de novo, voc\u00ea tem que trabalhar embaixo de vag\u00e3o,  levantava o trem com o macaco, voc\u1ebd quem que entrar em baixo para consertar, para depois descer o trem.<\/p>\n<p>Os dormentes da linha, que fazia o trilhos, de primeira era s\u00f3 madeira de cedro, era madeira boa, madeira de cedro, sucupira, aroeira, madeira dura, firme. Depois teve uns tempo,  eles come\u00e7aram  a p\u00f4r madeira mole, a\u00ed dava acidente, porque o paus quebrava, n\u00e3o aguentava. Tinha que por aquela madeira firme para ficar seguro.<\/p>\n<p>As madeira por aqui mesmo arrumava, mas de primeira vinha de fora, aquelas aroeira do sert\u00e3, mas depois come\u00e7ou arrumar por aqui mesmo, pereira, jacarand\u00e1, sucupira. Depois come\u00e7ou a arrumar aquelas madeira branca, madeira ruim come\u00e7ou a dar muito acidente. O trem era pesado e a madeira quebrava, n\u00e9? Depois come\u00e7aram a melhorar de novo.<\/p>\n<p>Eu at\u00e9 gosto, fico satisfeito, s\u00f3 que eu sou meio grosseiro, n\u00e3o sei falar direito. Eu fico satisfeito porque tem muita gente que vai ver, n\u00e9? Inclusive tem 2 filhos meus que v\u00e3o ficar alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=113\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Eu fazia o servi\u00e7o mais pesado da ferrovia\"><p>Meu nome \u00e9 In\u00e1cio Borges Sobrinho, eu nasci 21 de junho de 1926, numa ro\u00e7a de Cambuquira. A esta\u00e7\u00e3o de Cambuquira era na sa\u00edda para Campanha. Meus cunhados trabalhavam na ferrovia, quando foi em 1960 eles me convidaram pra vim trabalhar na rede, a\u00ed eu resolvi entrar. 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