{"id":111,"date":"2019-08-13T16:13:50","date_gmt":"2019-08-13T19:13:50","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=111"},"modified":"2019-08-13T16:13:50","modified_gmt":"2019-08-13T19:13:50","slug":"quando-eu-entrei-ainda-tinha-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=111","title":{"rendered":"Quando eu entrei ainda tinha movimento"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_46\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-46\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/edson-mateus-foto-andressa-goncalves-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" class=\"size-large wp-image-46\" srcset=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/edson-mateus-foto-andressa-goncalves.jpg 1024w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/edson-mateus-foto-andressa-goncalves-300x200.jpg 300w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/edson-mateus-foto-andressa-goncalves-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-46\" class=\"wp-caption-text\">Edson Mateus Laje, ferrovi\u00e1rio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es (MG). Foto: Andressa Gon\u00e7alves<\/p><\/div>\n<p>Eu me chamo Edson Mateus Laje, nasci em 24 de mar\u00e7o de 1952, em Belo Horizonte. Eu cheguei em Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es eu tava com 13 anos. A cidade era muito boa, tinha ferrovia, emprego aqui era ex\u00e9rcito e ferrovia. Sempre eu tive vontade de trabalhar na ferrovia, e consegui entrar em 83. Eu prestei o concurso em Lavras e entrei para a a ferrovia em 83, e aposentei em 97.<\/p>\n<p>Eu era operador rodo-ferrovi\u00e1rio, eu andava na linha, no auto de linha, e nas viaturas rodovi\u00e1rias, caminh\u00e3o, camionete, transportando pessoal para fazer manuten\u00e7\u00e3o da linha, carga para a ferrovia mesmo, fazia este tipo de servi\u00e7o. Fazia transporte de pessoal para manuten\u00e7\u00e3o da linha. Eu era condutor de auto de linha, auto de linha \u00e9 condu\u00e7\u00e3o que transportava trabalhador para manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O auto de linha \u00e9 mesma coisa de um carro, ele tem embreagem, tem freio, tem acelerado no p\u00e9, a\u00ed voc\u00ea controla a velocidade como voc\u00ea controla um ve\u00edculo, \u00e9 a mesma coisa de um ve\u00edculo, s\u00f3 n\u00e3o tem o volante, porque ele segue a linha, ele tem uns frisos na roda, j\u00e1 para seguir a linha. Era a maquininha e uma carretinha, que ia transportando as ferramentas, o material que seria usado na linha e o pessoal que fazia o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando eu entrei ainda tinham movimento,  s\u00f3 que sendo \u00f3rg\u00e3os de governo n\u00e3o fizeram as melhorias necess\u00e1rias e veio a decad\u00eancia e a privatiza\u00e7\u00e3o, a\u00ed passou para a FCA. Trabalhei um ano na FCA tamb\u00e9m, mas j\u00e1 tinha tempo para aposentar.<\/p>\n<p>Quando eu trabalhava na ferrovia, o engenheiro Murta comprou um  trenzinho para fazer campanha pol\u00edtica, s\u00f3 que na \u00e9poca ele foi transferido para Belo Horizonte. A\u00ed ele me pediu pra eu vender o trem, s\u00f3 que  eu tava doido para comprar o trenzinho, mas n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o. A\u00ed eu fui embromando, segurandoa. A\u00ed eu aposentei e  com o dinheiro da minha aposentadoria eu comprei o trenzinho, e a partir da\u00ed eu fiquei com ele direto, vai fazer 15 anos que eu tenho ele. E rodo a cidade inteira com ele. Trabalho com ele no meio de semana para as escolas que me chamam. Aos domingos eu estou na pra\u00e7a. Tamb\u00e9m estou fazendo cada domingo num bairro, fa\u00e7o bairros diferentes, nos bairros, a gente faz um precinho camarada para poder todo mundo andar. As crian\u00e7as \u00e9 s\u00f3 escutar a buzina do trem, que  sai tudo correndo, e a gente no bairro j\u00e1 faz um precinho camarada para poder todo mundo andar. Vai o pai, vai a m\u00e3e. . Tem pessoa de idade que vai na pra\u00e7a s\u00f3 para andar de trenzinho. Tem idoso tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 crian\u00e7a. Tem gente de idade, as crian\u00e7as de quando eu comecei, hoje est\u00e3o levando os filhos.<\/p>\n<p>Eu achava muito bonito uma composi\u00e7\u00e3o de trem passando. Nunca tive parente ferrovi\u00e1rio. Quando eu era menino, eu morei em Itanhandu, eram dois dias de viagem de Itanhandu a Belo Horizonte, era a coisa mais boa que existe, estes dois dias. Voc\u00ea saia de Itanhandu, voc\u00ea vinha \u00e0 Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es, voc\u00ea fazia baldea\u00e7\u00e3o aqui, chegava em Lavras, fazia outra baldea\u00e7\u00e3o, de Lavras a Belo Horizonte,  Era uma viagem muito boa, tinha o vag\u00e3o restaurante, nossa era uma del\u00edcia. No restaurante, tinha macarr\u00e3o, tinha carne, era uma comidinha muito boa, simples, mas muito boa, lembro direitinho. Sou casado tem duas filhas, meus filho nunca andaram de trem, porque n\u00e3o tem mais, na \u00e9poca quando eles foram crescendo n\u00e3o tinha mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=111\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Quando eu entrei ainda tinha movimento\"><p>Eu me chamo Edson Mateus Laje, nasci em 24 de mar\u00e7o de 1952, em Belo Horizonte. Eu cheguei em Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es eu tava com 13 anos. A cidade era muito boa, tinha ferrovia, emprego aqui era ex\u00e9rcito e ferrovia. Sempre eu tive vontade de trabalhar na ferrovia, e consegui entrar em 83. Eu prestei o [&hellip;]<\/p>\n<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":""},"categories":[3],"tags":[4,5],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/111"}],"collection":[{"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=111"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":112,"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/111\/revisions\/112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}