{"id":106,"date":"2019-08-13T16:10:19","date_gmt":"2019-08-13T19:10:19","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=106"},"modified":"2019-08-13T16:10:19","modified_gmt":"2019-08-13T19:10:19","slug":"o-trem-passava-na-porta-da-minha-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=106","title":{"rendered":"O trem passava na porta da minha casa"},"content":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 Maria Ines Teixeira Caselato, nasci em 2 de junho de 1924, aqui em Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. Minha lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia era a casa da minha av\u00f3, na rua 7, era a rua paralela a Igreja Matriz. A ruas eram de terra, n\u00e3o eram cal\u00e7adas e a cidade era uma cidade pequena, mas arrumadinha, bem apresentada. Eu estudei na Escola Normal Sagrada Fam\u00edlia,eu fiz curso normal. Tinha um uniforme, era saia azul marinho e blusa branca, tinha uma gola grande, e na gola, conforme as listras, era o grau da escola.<\/p>\n<p>Meus pais moravam num s\u00edtio em Flora, eu estudava aqui e ficava na casa de minha av\u00f3. Flora era uma ro\u00e7a, o trem passava na porta da minha casa. Hoje n\u00e3o tem mais trem, mas antigamente tinha, eram tr\u00eas trens para l\u00e1, de manh\u00e3, durante o dia e a noite. Ent\u00e3o tinha condu\u00e7\u00e3o muito f\u00e1cil, era na porta mesmo. Eu morava do lado da esta\u00e7\u00e3o. Neste tempo eu viajava muito, principalmente final de semana, chegava final de semana eu ia pra Flora. At\u00e9 l\u00e1 demorava uns 30 e poucos minutos, era pertinho.<\/p>\n<p>Para entrar na rede, eu fiz um concurso. Naquela \u00e9poca fazia o concurso para o escrit\u00f3rio da ferrovia, eu fiz o concurso e fui chamada pra trabalhar. Eu era nova, tinha uns 20 anos. Eu trabalhava na rua Cabo Benedito Alves, antes da linha do trem, hoje \u00e9 uma casa de m\u00f3veis, era ali. Mas eu comecei mesmo no escrit\u00f3rio da oficina, l\u00e1 tinha um escrit\u00f3rio pequeno. Eu era escritur\u00e1ria, fazia reda\u00e7\u00e3o, balancetes, essas coisas de escrit\u00f3rio normal. Depois eu fui transferida para o escrit\u00f3rio da terceira divis\u00e3o, que era um escrit\u00f3rio maior.<\/p>\n<p>Tinham muitas mulheres que trabalhavam no escrit\u00f3rio. Eram todas concursadas, tinha a Terezinha Ferreira, a Juraci, Maria Helena, estas ainda est\u00e3o a\u00ed, mas tem algumas que j\u00e1 se foram. Maria de Jesus Ribeiro, a Juju. A Zuleica, j\u00e1 morreu, Geralda, j\u00e1 morreu. Oscarlina, tinha a Zil\u00e1, eram irm\u00e3s. A Cl\u00e9lia, tamb\u00e9m j\u00e1 morreu, depois foi transferida depois para BH. Tenho muita saudade, a turma do escrit\u00f3rio era muito unida, a gente testava sempre junto, era muito bom.<\/p>\n<p>Depois eu casei e fui trabalhar em Varginha, l\u00e1 tinha um escrit\u00f3rio da rede. Eu trabalhei em Varginha uns 9 anos, mas a\u00ed foram suprimindo as linhas de Furnas, e acabou a ferrovia pra baixo, por causa de Furnas inundou tudo,  ent\u00e3o eu voltei pra c\u00e1, porque acabou o escrit\u00f3rio l\u00e1. Eu trabalhei a vida inteira na ferrovia at\u00e9 aposentar.<\/p>\n<p>Tive 5 filhos,  sempre foi dif\u00edcil, a gente trabalhava oito horas e ainda era dona de casa, era complicado, mas deu pra conciliar. Depois que casei ei n\u00e3o quis parar de trabalhar porque eu j\u00e1 tinha 10 anos de casa, a\u00ed continuei.<\/p>\n<p>Eu acho um atraso a decad\u00eancia da ferrovia, era t\u00e3o \u00fatil, tanto para passageiro quando para carga. Eu acho que nos ao inv\u00e9s de progredir, n\u00f3s regredimos. Minha mensagem \u00e9 s\u00f3 de saudade, dos tempos que trabalhei, foi muito bom, as amizades que fiz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=106\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente O trem passava na porta da minha casa\"><p>Meu nome \u00e9 Maria Ines Teixeira Caselato, nasci em 2 de junho de 1924, aqui em Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. Minha lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia era a casa da minha av\u00f3, na rua 7, era a rua paralela a Igreja Matriz. 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