{"id":103,"date":"2019-08-13T16:08:16","date_gmt":"2019-08-13T19:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=103"},"modified":"2019-08-13T16:09:20","modified_gmt":"2019-08-13T19:09:20","slug":"103","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=103","title":{"rendered":"Dali eu nasci um maquinista"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_44\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-44\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aquiles-jose-foto-andressa-goncalves-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" class=\"size-large wp-image-44\" srcset=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aquiles-jose-foto-andressa-goncalves.jpg 1024w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aquiles-jose-foto-andressa-goncalves-300x200.jpg 300w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/aquiles-jose-foto-andressa-goncalves-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-44\" class=\"wp-caption-text\">Aquiles Jos\u00e9 Nogueira, ferrovi\u00e1rio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. Foto: Andressa Gon\u00e7alves<\/p><\/div>\n<p>Meu nome \u00e9 Aquiles Jos\u00e9 Nogueira, nasci em 1925, m\u00eas de agosto, 15 de agosto. Fiz 86 anos agora em agosto. Em nasci em Carmo da Cachoeira. Sou nascido l\u00e1, mas fui registrado aqui, porque na Cachoeira na \u00e9poca n\u00e3o tinha registro. Eu tinha 15 anos quando fui registrado. Na \u00e9poca registrou 12 de uma vez, eu e meus irm\u00e3os era tudo sem registro, era s\u00f3 anotado na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Aqui para Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es n\u00f3s viemos em 46, mas n\u00f3s morava na ro\u00e7a, trabalhava na ro\u00e7a. Desde 7 anos eu trabalhava para as fazendas, formando caf\u00e9, formando cana. Depois eu entrei no ex\u00e9rcito e fiquei 3 anos.  Em 1946, dia 21 de setembro  eu dei baixa no ex\u00e9rcito. Eu tinha um primo que trabalhava na rede, ele falou que ia arrumar uma vaga para mim na rede. E arrumou e eu entrei l\u00e1 como praticante, trabalhei na ferraria como ajudante de ferreiro, depois me deu na cabe\u00e7a de entrar como foquista e ainda passei a maquinista na rede.<\/p>\n<p>Eu trabalhei 10 anos como foguista. Era s\u00f3 abastecer a fornalha. Todo o servi\u00e7o de tra\u00e7\u00e3o era perigoso, tanto para o maquinista, tanto para o foguista. O servi\u00e7o de tra\u00e7\u00e3o era os dois. O maquinista instru\u00eda a gente,  e a gente ia seguindo, e dali eu nasci um maquinista.<\/p>\n<p>A rotina de um maquinista \u00e9 cumprir a escala, fazer um bom servi\u00e7o, evitar de fazer acidente, este \u00e9 problema do maquinista. A condu\u00e7\u00e3o da vaporosa \u00e9 toda manual, as m\u00e1quinas a diesel \u00e9 toda  autom\u00e1tica, voc\u00ea ligou, pode tirar a m\u00e3o que ela faz tudo sozinha, agora a vaporoso n\u00e3o, voc\u00ea tem que estar ali firme, para evitar acidente. Eu fico segurando o regulador,  ent\u00e3o voc\u00ea agradou o o regulador ali, voc\u00ea abre um pouco se voc\u00ea v\u00ea que t\u00e1 perdendo a velocidade, tem o term\u00f4metro que regula o regulador, a\u00ed voc\u00ea controla ali, e o foguista fica fazendo fogo e a \u00e1gua ferve, \u00e9 o que d\u00e1 for\u00e7a para a locomotiva.<\/p>\n<p>Eu te comecei trabalhando com a 245, depois passei para a m\u00e1quina 312, depois fui para 525, a\u00ed a gente trocava, cada semana a gente trabalhava com um tipo de m\u00e1quina, n\u00e3o trabalhava s\u00f3 numa n\u00e3o. Tnha maquinista que brigava um com outro por causa das m\u00e1quinas . Aqui tinha 222, 223, 224, 225, 226. A 250 era de um maquinista, a 247 era de outro, 248 era m\u00e1quina do Benedito Peres, depois passou para o Homero Couto, eu trabalhava com a 330, era uma m\u00e1quina constru\u00edda na B\u00e9lgica, estas Tanuir.<\/p>\n<p>Quando eu estava trabalhando para os lados de Uberaba,  eu vi uma assombra\u00e7\u00e3o, l\u00e1 na chegada de Arax\u00e1. Eu vi um trem, ele vinha cruzando comigo, mas eles falavam que era a m\u00e3e de ouro, era fogo deste tamanha no meio da linha, ela veio correndo para o meu lado, eu parei o trem. L\u00e1 na linha de Uberaba, eu falei para o foguista: -eu vou parar, ele falou: &#8211; por qu\u00ea?, &#8211; a l\u00e1 evem um trem l\u00e1, olha, ele falou: &#8211; n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o, eu falei: \u00e9, mas um farolz\u00e3o deste tamanho. A\u00ed eu parei o trem e o neg\u00f3cio desapareceu, eu sa\u00ed e fui embora. Isto eu cheguei no dep\u00f3sito l\u00e1 de Uberaba e contei para o chefe de dep\u00f3sito l\u00e1, ele falou que sempre maquinista v\u00ea isto l\u00e1, mas eu vou contar pra voc\u00ea, ali aonde voc\u00eas passam foi um cemit\u00e9rio, \u00e9 alma perdida que est\u00e1 l\u00e1. As vezes quando eu viajava de noite para l\u00e1 eu ficava vivo, para ver se aparecia mesmo do jeito, que eles falavam que aparecia um homem no meio da linha, mas tudo \u00e9 caso, n\u00e9?<\/p>\n<p>Hoje eu trabalho com artesanato, eu fa\u00e7o colher de pau, eu fa\u00e7o pil\u00e3o, eu fa\u00e7o gamela, fa\u00e7o tecido de cip\u00f3. Eu n\u00e3o gosto de ficar parado muito tempo, \u00e9 ruim ficar parado muito tempo. De vez em quando encontro os colegas de trabalho.Tem dia que d\u00e1 saudade, porque era gostoso. A gente fica alegre, satisfeito de lembrar dos tempos anterior l\u00e1 atr\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=103\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Dali eu nasci um maquinista\"><p>Meu nome \u00e9 Aquiles Jos\u00e9 Nogueira, nasci em 1925, m\u00eas de agosto, 15 de agosto. Fiz 86 anos agora em agosto. Em nasci em Carmo da Cachoeira. Sou nascido l\u00e1, mas fui registrado aqui, porque na Cachoeira na \u00e9poca n\u00e3o tinha registro. Eu tinha 15 anos quando fui registrado. 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