{"id":101,"date":"2019-08-13T16:04:39","date_gmt":"2019-08-13T19:04:39","guid":{"rendered":"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=101"},"modified":"2019-08-13T16:04:39","modified_gmt":"2019-08-13T19:04:39","slug":"eu-tenho-muito-contato-com-a-estrada-de-ferro-desde-crianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=101","title":{"rendered":"Eu tenho muito contato com a estrada de ferro desde crian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_42\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-42\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-gomes-foto-paulo-morais-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" class=\"size-large wp-image-42\" srcset=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-gomes-foto-paulo-morais.jpg 1024w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-gomes-foto-paulo-morais-300x200.jpg 300w, https:\/\/museudaoralidade.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/antonio-gomes-foto-paulo-morais-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-42\" class=\"wp-caption-text\">Ant\u00f4nio Gomes Pimentel, ferrovi\u00e1rio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es. Foto: Paulo Morais.<\/p><\/div>\n<p>Meu nome \u00e9 Ant\u00f4nio Gomes Pimentel, nasci em Ibi\u00e1 no ano de 1926, no dia 15 de mar\u00e7o. J\u00e1 completei 85 anos. Meu pai era ferrovi\u00e1rio, o nome dele \u00e9 Raimundo Pimentel. Meu pai trabalhava na Estrada de Ferro Oeste de Minas, naquela \u00e9poca eles n\u00e3o tinham dia de folga, s\u00f3 domingo depois das 14 horas \u00e9 que eles tinham folga. Meu pai trabalhava na manuten\u00e7\u00e3o abastecendo locomotivas, lenha, areia, tudo  Todo domingo  eu ia levar almo\u00e7o para ele e ficava at\u00e9 a hora dele ir embora.  Eu era apaixonado pelas locomotivas, sonhava que um dia eu seria maquinista das m\u00e1quinas a vapor. As locomotivas chegavam e iam para o dep\u00f3sito para revis\u00e3o e depois ia para abastecer e eu ficava acompanhando ele naquele movimento que ele fazia. Ent\u00e3o eu tenho muito contato com a estrada de ferro desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando eu completei 20 anos eu entrei para a rede, foi em 1947. Eles iam come\u00e7ar uma eletrifica\u00e7\u00e3o entre Divin\u00f3polis e Belo Horizonte. As linhas telegr\u00e1ficas, na \u00e9poca em que foram constru\u00eddas, elas n\u00e3o acompanhavam o tra\u00e7ado s\u00f3 da linha,  era feito de acordo com as condi\u00e7\u00f5es de terreno, elas mudavam muito de lado. Quando foi para eletrificar n\u00f3s fomos l\u00e1 para passar as linhas para um lado s\u00f3, sentido Belo Horizonte-Divin\u00f3polis lado direito. Na \u00e9poca tamb\u00e9m iniciou uma constru\u00e7\u00e3o do seletivo, um telefonezinho para facilitar as comunica\u00e7\u00f5es, antes era s\u00f3 feito no morse.<\/p>\n<p>Eu morei dentro de um vag\u00e3o at\u00e9 fins de 51. Os alojamentos eram os vag\u00f5es, tinha carro de cozinha, n\u00e3o \u00e9 igual este de hoje, era metade de madeira, tinha um alojamento para dormir. Era  o alojamento que n\u00f3s t\u00ednhamos,  n\u00f3s \u00e9ramos 22. Quando terminamos as constru\u00e7\u00e3o de Divin\u00f3polis  e chegamos com o seletivo em Gar\u00e7as de Minas, era 1950. Foi quando o Brasil perdeu aquela Copa para o Uruguai l\u00e1 no Maracan\u00e3, n\u00f3s est\u00e1vamos em Gar\u00e7a de Minas.<\/p>\n<p>Para manter as comunica\u00e7\u00f5es do morse e de telefone, cada guarda-fios tomava conta de 100 quil\u00f4metros. Para o aparelho de morse funcionar, era feita uma bateria de sulfato, com 25 gramas de  sulfato e aproximadamente 2 litros de \u00e1gua a gente fazia uma bateria de 1 volt e meio, o aparelho recebia e registrava o c\u00f3digo morse, ent\u00e3o, para funcionar, tinha que ter esta bateria. Agora para a linha de transmiss\u00e3o, as linhas f\u00edsicas, de 40 em 40 km tinha que ter uma bateria com 24 elementos, s\u00f3 que 12 elementos antes do aparelho e 12 elementos ap\u00f3s. Isto conseguia transmitir a comunica\u00e7\u00e3o numa m\u00e9dia de 40 km, a\u00ed tinha que ter outra bateria pra l\u00e1 para refor\u00e7ar.  O guarda fios ele trabalhava na manuten\u00e7\u00e3o disto tudo.<\/p>\n<p>O guarda-fios tinha muito inimigo, passarinho por exemplo, o Jo\u00e3o de Barro fazia um ninhozinho l\u00e1 na linha, o poste era de ferro, a cruzeta era de ferro, ele fazia um ninho dele e aterrava a linha, tamb\u00e9m tinha o mal tempo, caia fa\u00edsca, quebravam os isoladores, ent\u00e3o tinha me manter tudo funcionando, esta que era a fun\u00e7\u00e3o de um guarda fios. Cada um era uma m\u00e9dia de 100 quil\u00f4metros.<br \/>\n\u00c9 muito triste ver as esta\u00e7\u00f5es deste jeito, eu fico muito triste, porque se a senhora visse quando tinha aquele movimento, principalmente na \u00e9poca da locomotiva a vapor, quando dava onze horas saia a turma para almo\u00e7ar, o povo do escrit\u00f3rio, da esta\u00e7\u00e3o, nossa, a gente chegava a trombar um no outro, de tanta gente, era aquele movimento, era aquela alegria, depois que acabou.<\/p>\n<p>A locomotiva a vapor para locomover tinha aquele barulho caracter\u00edstico dela, a locomotiva a diesel \u00e9 um barulho assim como se fosse uma carreta, um caminh\u00e3o, agora a vaporosa n\u00e3o, era um vac-vac-vac-vac, chiui-chiui, soltava fuma\u00e7a loonga. Era bonito mesmo. Eu senti muito saudade da locomotiva a vapor, tenho saudade mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/museudaoralidade.org.br\/?p=101\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Eu tenho muito contato com a estrada de ferro desde crian\u00e7a\"><p>Meu nome \u00e9 Ant\u00f4nio Gomes Pimentel, nasci em Ibi\u00e1 no ano de 1926, no dia 15 de mar\u00e7o. J\u00e1 completei 85 anos. Meu pai era ferrovi\u00e1rio, o nome dele \u00e9 Raimundo Pimentel. 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